domingo, 11 de setembro de 2016

Nuvens e meia-luz

Ele subiu as escadas, e se deparou com a porta do apartamento dela aberta. Como já estivesse familiarizado com aquilo, entrou calmamente. Não que ele morasse lá, mas já estivera nesse lugar com ela em outras tardes não tão nubladas quanto esta. Trancou a porta da frente e atravessou a sala, de aspecto sóbrio e severo, para entrar no quarto dela. O novo cômodo contrastava completamente com o anterior, era cheio de vida, enfeites nas paredes e sobre os móveis. Banhava-se de uma meia-luz que aquecia e acalentava a alma. E em meio a toda essa vida e conforto estava ela, deitada sobre a cama, completamente nua, a masturbar-se languidamente, profundamente absorta.

Ele se sentou na cama ao lado dela, começou a acariciar delicadamente o interior de sua coxa, e sussurrou em seu ouvido o quanto ela era deliciosa e o quanto pensara nela nos últimos dias. Ela, com os olhos fechados, pareceu não reagir à chegada de seu convidado; no entanto, o fato de seus gemidos terem se tornado audíveis confirmava a ele que sua presença era ansiada. Ele passou a beijar seus peitos tão perfeitos, até que ela se contraiu em um último suspiro, e desfez-se, momentaneamente, em seu próprio prazer.

Eles passaram toda aquela tarde cinza dentro daquele quarto tão colorido e aconchegante, completando um ao outro, trocando carícias e confidências, rindo de si mesmos, e tornando a vida tão suave quanto deveria ser. A disparidade entre aquele mundo onírico e o mundo duro e frio os amedrontava, mas a tranquilidade que sentiam naquele momento lhes trazia segurança de que, não importa como as coisas estivessem, sempre haveria, em algum lugar, algo a que se segurar e com que recuperar a vontade de seguir adiante.

[21.11.2012]

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