Somos sobreviventes.
Na infância e adolescência, as estranhas,
bizarras,
tímidas,
incompatíveis,
incompreendidas,
marginais,
deslocadas.
Nossa sensibilidade e fúria de sermos nós mesmas nos trouxe muita dor.
E sofremos, sim,
pois adequar-nos, diziam, acabaria com a dor.
Duvidamos de nós mesmas,
mas mantivemos a certeza de que desistir dessa nossa fúria era a morte certa.
Por isso sobrevivemos.
Ainda batalhamos contra os males do espírito e do corpo.
A depressão e a ansiedade por vezes ainda nos atingem.
No entanto, nos tornamos artistas de nossa existência,
aquelas que subverteram as regras da realidade,
que podem o que outras nunca ousaram pensar em poder.
A autodeterminação é dos nossos objetivos,
a busca pelas coisas verdadeiras,
o eu cada vez mais autêntico,
o abraçar,
o amor,
as relações e atitudes subversivas e amáveis,
pois viver no papel imposto é impossível
(ainda que nunca somos completamente livres do corpo e do mundo).
Prosseguimos na tão difícil e necessária aventura de dobrar a realidade vulgar,
subindo à superfície da consciência,
questionando o óbvio,
e criando nosso verdadeiro óbvio,
pois nosso espírito é forte
e reinamos juntos com nossos iguais,
saboreando os prazeres proibidos de escolhermos nossos próprios caminhos.