quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Notas sobre o hedonismo próspero

[Do hedonismo próspero e sobriedade]
Ainda que no hedonismo se busque a viabilização dos desejos e realização das fantasias, é fundamental a compreensão de como eles se processam. Muitas vezes, o que aparenta ser puro desejo, cuja realização geraria felicidade, prazer, alívio, satisfação, se cerca e se funde com compulsões, desesperos, infelicidades diversas. Aquela que busca um hedonismo mais próspero, com objetivo de vivenciar os prazeres de forma mais plena e generalizada, mais provavelmente seguirá por uma trilha de auto-conhecimento e aproveitará, de forma construtiva, seus momentos de sobriedade.

[Os prazeres não são inerentemente danosos]
A satisfação dos desejos e a busca pelos prazeres não são inerentemente danosas ou destrutivas. É necessário evitar a falácia do ascetismo, que é a base da nossa sociedade judaico-cristã. A ascética fala que tudo o que é bom faz mal, tudo que dá prazer também traz miséria e sofrimento. Acho compreensível o medo dos orgasmos e fruições: tudo o que atinge intensamente nosso sentido de bem-estar nos atrai de modo que podemos nos descuidar de outras coisas, podemos nos machucar. Com responsabilidade e maturidade, é possível tornar a satisfação dos desejos muito mais segura física e emocionalmente. A culpa não deve acompanhar a fruição, pois esta será feita com consciência e responsabilidade.

[Exemplos]
O sexo se amedronta de doenças, relações sociais, segurança emocional e física. As drogas refletem sobre saúde física, saúde mental, descontrole. A gula se preocupa com saúde física e estética. A paixão tem receio do sofrimento emocional, descontrole, saúde física. A preguiça e o ócio lidam com as cobranças e as saúdes. Os prazeres físicos se vêem com o descontrole. Tudo intercepta relações pessoais, financeiras, físicas, emocionais, responsabilidades, entre outras.