domingo, 25 de setembro de 2016

A Devassidão me atrai

A devassidão me atrai.
(E meu palpite é que Ela atrai a todas,
mesmo que várias resolvam essa atração com repulsa)
Então os tabus e as proibições,
proibições do corpo, de dois corpos, de tantos mais corpos juntos,
os desvios de gênero e de sexualidade
(tão corretos quanto os normatizados,
mas ainda assim proibidos),
as alterações da consciência
e todo esse desprendimento das relações engessadas, plastificadas e artificiais,
isso tudo me desorienta, me hipnotiza,
tal Sereia em meu mar de rotina.

Me perco nos pensamentos e fantasias,
nos desejos de sexo impulsivo.

Mas esse jogo é muito perigoso.

O choque da realidade nas ilusões
quanto há tímidas ou ousadas tentativas de satisfazer os desejos
pode destruir muita coisa.

Em contrapartida,
os desejos fermentando e apodrecendo dentro do peito
podem destruir tantas outras coisas dentro de si.

Esse jogo é muito perigoso.

Descobri, no entanto, a minha verdade,
em que a morte tão mais toma forma quanto mais frutas podres guardo dentro de mim.
Então a decisão tomou a mim
(única decisão, fácil e difícil):
sigo a passos lentos em direção à Devassidão,
pois mesmo que venha a quebra das ilusões,
arranhando por partes minhas emoções,
rasgando um pouco meu peito,
vou aprendendo as leis que regem essa Vida Renegada,
da Qual poucos magos ousam desenhar seus relatos,
e sorvendo sua seiva adocicada
do mundo dos sábios prazeres da carne.

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